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BI e dashboards: decidir por dado, não por impressão

A informação para decidir quase sempre já existe dentro da empresa. O que falta é ela chegar organizada, no tempo certo, sem depender de alguém montar planilha.

O ponto cego

Relatório não é indicador

Muita empresa tem relatório demais e indicador de menos. O ERP emite dezenas de listagens, o financeiro exporta planilhas, e mesmo assim a reunião mensal começa com alguém perguntando de onde veio determinado número — e ninguém tem certeza. Quando o dado não é confiável, a decisão volta a ser tomada por impressão, e o painel vira enfeite.

O problema raramente é a ferramenta. É que ninguém definiu o que cada indicador significa, de onde ele sai e quem responde por ele. Margem por produto calculada de dois jeitos diferentes em duas áreas não é problema de BI, é problema de definição — e nenhuma ferramenta resolve isso sozinha.

Por isso o trabalho começa pelas perguntas que a diretoria precisa responder, não pelas telas. Definida a pergunta, define-se o indicador; definido o indicador, define-se a fonte; só então se constrói o painel. Feito nessa ordem, o dashboard sobrevive à primeira discordância — que é onde a maioria morre.

O que entra no trabalho

O que compõe o trabalho

  • Definição dos indicadores O que cada número significa, como é calculado e quem responde por ele — por escrito.
  • Organização das fontes De onde vem cada dado, com as inconsistências entre sistemas resolvidas antes do painel.
  • Painéis de decisão Uma tela por público: diretoria, comercial, financeiro. Cada uma responde às perguntas daquele público.
  • Atualização automática O painel se alimenta sozinho. Ninguém consolida planilha na segunda-feira.
  • Histórico comparável Série ao longo do tempo, para ver tendência e não só a foto do mês.
  • Treinamento de leitura A equipe aprende a interpretar o painel — indicador que ninguém entende não é usado.

Como funciona

Da pergunta ao painel

  1. Levantar as perguntas

    O que a diretoria precisa saber para decidir. As telas vêm depois, nunca antes.

  2. Definir e acordar indicadores

    Uma definição só por indicador, aceita por todas as áreas que a usam.

  3. Preparar as fontes

    Ligar os sistemas, tratar inconsistência e garantir que o número feche com a contabilidade.

  4. Construir e validar

    Painel no ar, conferido contra os números conhecidos antes de virar base de decisão.

Perguntas frequentes

Sobre bi e dashboards

Preciso comprar uma ferramenta de BI?

Nem sempre. Boa parte das empresas que atendemos resolve com ferramentas que já possui ou com opções gratuitas para o volume que têm. A recomendação sai do diagnóstico, junto do custo de cada caminho — a ferramenta é a última escolha, não a primeira.

Meus dados estão bagunçados. Dá para fazer BI assim?

Dá, e é o cenário mais comum. Parte do trabalho é justamente organizar a fonte antes de construir o painel. O que não funciona é montar dashboard sobre dado sujo e esperar que o problema apareça depois — aí o painel perde credibilidade e ninguém mais olha.

Quem atualiza o painel depois de pronto?

Ninguém. Ele se alimenta direto dos sistemas de origem, na frequência combinada. É esse o ponto: se alguém precisa atualizar à mão, o trabalho não terminou.

Quantos indicadores um painel deve ter?

Menos do que a vontade inicial. Painel de diretoria costuma funcionar bem com seis a dez indicadores; acima disso ninguém olha. Os demais ficam em telas de apoio, para quem precisa aprofundar.

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